Três séries literárias de fantasia para ressaca pós-Tronos

Acabou a sua diversão de domingo à noite, né? Não tem mais dragões, nem a Daniela e o João das Neves. E aquele senhor barbudo que cuida de um cinema em Santa Fe não diz quando vai entregar o outro final da história, aquele que não vai ser filmado. E agora?

Para a sua sorte, a fantasia é uma fonte inesgotável de aventuras e emoções – e a quantidade de títulos disponíveis em português vem aumentando, assim como a qualidade.

Abaixo, seguem três recomendações de séries já terminadas disponíveis em português – ou que estarão disponíveis em breve!

Trilogia do Império – Raymond Feist e Janny Wurts

Política feitas com sangue e traições? Laços familiares que nem sempre são o que parecem? Mulheres que precisam sobreviver em meio a um mundo hostil e segregador?

A saga de Mara é uma das melhores histórias sobre nobreza e jogos políticos que já li, em boa parte pela força da protagonista. Mara não queria a vida que acabou tendo, mas se adapta e sobrevive, tornando-se cada vez mais forte – e mais distante de quem era.

Para quem conhece a escrita de Raymond Feist da saga do Mago, a trilogia do Império – Filha, Serva e Senhora – traz uma grande evolução, principalmente no que se refere à construção de personagens e de seus arcos. A contribuição da Janny Wurts, autora de várias séries próprias, é marcante nesse sentido.

Trilogia Terra Partida – N. K. Jemisin

A primeira série a ganhar o prêmio Hugo com todos os livros, Broken Earth já nasceu clássica. Seja pelo estilo narrativo impactante, pelo cenário terrível e majestoso ou por personagens verossímeis e humanos, é impossível não se fascinar pela saga de um mundo destinado a destruição – e das pessoas destinadas a destruí-lo.

Eu já conhecia a Jemisin pela série dos Cem Mil Reinos (que deve sair em breve por aqui) e mesmo assim fiquei impressionada. Em “A Quinta Estação”, ela conduz a trama de uma maneira tão inusitada que o leitor fica surpreso mesmo quando já sabe o que está acontecendo. A forma como ela apresenta o mundo é tão orgânica que o livro poderia facilmente ser um manual para jovens escritores de fantasia abandonarem os cacoetes do gênero.

A Morro Branco – que está fazendo um excelente trabalho na escolha do seu catálogo – já trouxe os dois primeiros volumes, A Quinta Estação e O Portão do Obelisco com tradução de Aline Storto Pereira. O terceiro está prometido para este ano, e por isso que entrou nessa lista!

Trilogia Tons de Magia – V. E. Schwaub

Você está em Londres. E depois, chega em Londres para finalmente voltar à Londres… E não se esqueça de que Londres é um lugar proibido.

Amo histórias com multiversos. São complicadas de escrever, mas quando são bem-feitas, são viagens inesquecíveis. É como a trilogia (que deve crescer) da Schwaub, em que a diferença mais marcante entre os universos é o nível de magia que existe em cada um. A trama envolve as relações de poder entre essas Londres diferentes e acompanha dois jovens que se encontram por ‘acaso’ em uma delas.

Muitos apontam semelhanças entre Lila Bard e Arya Stark – não sei se concordo, mas se isso instigar a sua curiosidade para ler essa série, cujos dois primeiros volumes já saíram por aqui e o terceiro foi prometido para este ano, já vale!

Capa da edição especial da Subterranean Press para o 8o livro da série, Toll the hounds. Simonetti, né…

No título, eu disse que seriam três séries, mas eram para ser quatro. Só que a última série que eu indicaria só teve os dois primeiros livros publicados no Brasil – para acompanhar, é bom estar em dia com o curso de inglês, porque é nível hard, ou poder comprar os livros portugueses da Saída de Emergência, cotados em euro.

O Livro Malazano dos Caídos, de Steven Eriskon, é provavelmente a série mais importante da fantasia sombria, superando clássicos como as Crônicas de Thomas Convenant (que está com nova edição sendo lançada em breve) e A Companhia Negra. Com dez livros (sem contar as séries derivadas/paralelas), não tem dó do leitor, jogando-o direto no meio da ação e da confusão de uma guerra sem heróis nem vilões. Ou talvez só com vilões…

Os dois primeiros livros, Os jardins da Lua e Os portais da Casa dos Mortos, foram lançados pela Arqueiro com tradução de Carol Chiovatto como parte do espólio deixado pela extinção da Saída de Emergência Brasil. Porém, a editora já comunicou aos leitores que não vai dar prosseguimento à publicação. Nem a série paralela de Ian Elessmont, passada no mesmo universo, teve sorte. Com dois volumes – Noite das facas e O lamento de dançarino – lançados pela Cavaleiro Negro, também não há notícias de continuidade.

Malazan, pelo visto, vai ser uma terra distante para os leitores brasileiros por muito tempo.

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